NOVIDADE

Propagação 'explosiva' pode levar zika a 4 milhões de casos, diz OMS

29 de Janeiro . 2016

A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou nesta quinta-feira (28) a criação de um Comitê de Emergência para orientar sobre formas de lidar com o zika vírus, que já atinge 23 países. Para a diretora-geral da organização, a doença "se propaga de maneira explosiva". O número de casos, estima a organização, pode chegar a 4 milhões nas Américas.

"O vírus foi detectado ano passado na região das Américas, onde se propaga de maneira explosiva", afirmou Margaret Chan durante uma reunião para os Estados-membros da organização em Genebra, na Suíça, de acordo com a agência France Presse.

A instituição teme o registro de 3 a 4 milhões de casos da doença apenas nas Américas. Destes, 1,5 milhão deve ocorrer no Brasil.

"Atualmente, casos foram notificados em 23 países e territórios na região. O nível de alerta é extremamente alto", acrescentou. O comitê vai se encontrar em Genebra em 1º de fevereiro.

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Segundo Marcos Espinal, diretor de Doenças Comunicáveis e Análise de Saúde da OMS, o nível de emergência é alto, e países não podem esperar para agir, pois a epidemia vai se espalhar para fora das Américas.

"Devemos assumir que isso vai para todo lugar, não devemos esperar para agir", disse Espinal. "Precisamos ter controle de vetores agressivo nesses países, onde nem o mosquito nem a população haviam sido expostos a esse vírus antes e, por isso, têm baixa imunidade."

El Niño
Margaret Chan disse ainda que eventos climáticos alimentados pelo El Niño, que levam chuva e calor a áreas mais extensas, vão contribuir para espalhar a doença. A pedido dos países membros, a organização promove uma sessão informativa sobre o vírus.

Além do fator climático, Chan disse estar preocupada com o fato de que o vírus é originário de populações animais da África subsaariana, e populações de outros continentes provavelmente se mostrarão mais suscetíveis ao vírus.

A OMS também teme uma "associação provável da infecção com malformação congênita e síndromes neurológicas", mas também "pela falta de imunidade entre a população nas regiões infectadas" e a "falta de vacinas, tratamentos específicos e testes de diagnóstico rápidos", segundo a France Presse.

Apesar de a presença do vírus ter grande correlação com casos de microcefalia no Brasil, Chan afirma que ainda não está totalmente comprovado que um afeta o outro. Para a síndrome de Gullain-Barré, colapso neurológico que pode ser causado pelo vírus, também faltam evidências.

"Ainda não foi estabelecida uma relação causal entre a infecção viral por zika e malformações no nascimento, além de síndromes neuroimunológicas", disse Chan. "Há uma forte suspeita, porém."

 

http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2016/01/el-nino-vai-ajudar-espalhar-o-zika-diz-oms.html